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Sebá Tapajós inspira suas artes nos rios da Amazônia

Ele conversou conosco sobre o trabalho nas ilhas e os projetos sociais que desenvolve na região

Sebá Tapajós. Fotos: Divulgação

Paraense papa chibé, Sebastião Tapajós, ou Sebá Tapajós como é conhecido, ganhou fama internacional pelo trabalho de grafitagens nas ilhas de Belém. A infância nos rios da Amazônia fez com que o artista se apaixonasse pela simplicidade dos ribeirinhos e através da arte pautasse as problemáticas e a realidade de quem reside às margens da Baia do Guajará.

Sebá conversou conosco sobre o trabalho nas ilhas e os projetos sociais que desenvolve na região, em parceria com artistas nacionais, como a atriz Priscila Fantin.

1)      Como surgiu a ideia de levar a arte para as ilhas?

Sempre vivi esse universo. Atravessei muito o rio, meu pai teve barcos. Aprendi a nadar quando criança no rio Tapajós. Isso faz parte do meu DNA. Andei de barco de Belém a Santarém- até Manaus. Na verdade foi, mas esperar maturidade e originalidade no meu trabalho que me fez ter coragem de levar o que me inspirou a criar meus traços, no caso os rios, para o lugar dele.

2)  O porque de utilizar paredes de casas e os barcos como tela para as suas artes?

A ideia de pintar a fachada de casas e barcos de moradores ribeirinhos surgiu depois que meu trabalho ganhou repercussão nacional e Deus me abençoou com este insight: a primeira galeria fluvial do mundo, que já tem o olhar e já está aprovado pelo Iphan como a única Galeria Fluvial do Brasil. No momento, já são mais 20 casas, barcos, além de cascos (canoa). E já estamos indo para a quarta galeria e o quinto ano de Street River.

Durante esse período nas ilhas sempre visando atender as necessidades básicas de dignidade que qualquer ser humano deve ter, neste caso em especial, os povos ribeirinhos que vivem a 15/20min de Belém do Pará. 

3)      Porque a ilha do Combu foi escolhida? 

Porque era onde sempre freqüentei por ser a 20 min de Belém e 10 min de voadeira.

Existem 42 ilhas algumas abandonadas pelo poder público e nos últimos 13 anos sendo uma delas a Ilha do Combu, um dos atuais pontos turísticos mais importantes de Belém. Mas que foi visto pelos governantes depois dos 400 anos da capital quando o Estado não fez nada em homenagem aos povos ribeirinhos.

Uso os períodos livres, entre outros, trabalhos para tocar o projeto e ensinar artes às crianças e aos adultos da ilha.

“Eu pego R$ 200 do meu bolso, imprimo as apostilas e levo material de pinturas. É como se fosse um dízimo em prol da minha cidade. Só que, em vez de ir pra a igreja rezar, eu ensino artes e assim conseguirmos dar voz aos povos ribeirinhos”.

4)      O que você traz na sua arte? Quais são as suas inspirações?

Sou daltônico em um nível raro, porém sou grafiteiro há 15 anos, mas tenho contato com spray há mais ou menos 18 anos. As latas têm os nomes das cores e há uns 5 anos pinto na sensibilidade e harmonia no que vejo, sempre inspirado na maior riqueza que o planeta terra tem: o Amazonas, seu rios, igarapés, furos e igapós.

Até hoje ainda leio as latas, mas mesmo lendo às vezes preciso consultar um ajudante para não confundir as cores (risos).

5)      O que é o projeto STREET RIVER e os seus objetivos?

É um tratado de responsabilidade social com os povos ribeirinhos. Levar dignidade, água potável, energia estável, saneamento básico. Esse povo, por exemplo, não tem água potável, tratamento e recolhimento de lixo, e mesmo pagando a energia elétrica, em grande maioria das vezes falta quase toda a semana, normalmente por 24 a 72 horas.

 Atualmente mais de 20 casas estão no roteiro do STREET somente no Combu.

6)   Você também desenvolve turismo na região e tem feito o intercambio de artistas nacionais na ilha, como o cantor Marcelo D2 e as irmãs Priscila e Fabiola Fantin. Qual a importância da vinda deles, em especial o trabalho que as irmãs Fantin desenvolvem hoje na região: o WAVES FOR WATER.  Quantos ribeirinhos foram beneficiados?

Priscila é minha amiga e já estávamos combinando de juntos conseguimos recursos para o construirmos um poço que  abastecesse todos moradores da ilha do Combu. A Irmã dela é uma luz pura, assim como Priscila, seu irmão e toda sua família!

Conseguimos o Waver For Water e assim ela se tornou definitivamente a madrinha do StreetRiver com 15 filtros, sendo que cada um produz 3 milhões de litros de água e tem durabilidade de 5 anos. Conseguimos contemplar mais de 200 famílias com abastecimento de água potável gratuita com os filtros da Waves For Water.

 Marcelo D2 é um amigo que não falava com tanta freqüência, mas coincide do Zezão que pintou em clipe dele, então nos unimos os três. Conversamos bastante e depois do Street River e desde então temos nos falado com freqüência, inclusive ele está querendo voltar pra dar um role menos corrido.  Estamos juntos são meus amigos e estarão provavelmente nas próximos edições. Vamos Avante!

Autor admin

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