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Jacqueline Scafutto: “A música é a minha libertação diária”

Para quem gosta de grandes histórias de amor inspiradas na vida real, conheça a cantora e compositora Jacqueline Scafutto, que não se envergonha do amor e o faz de inspiração!

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Reportagem: Karolinni Guimarães

Fotos: Divulgação

O amor pela música não tem uma data definida para começar, apenas aconteceu. “A música sempre fez parte de minha vida. Desde muito pequena (nem lembro com qual idade) eu já cantava na Igreja em que freqüentava. No primeiro registro de imagem que tenho cantando, tinha três anos. Sempre amei cantar. Escrevo desde bem cedo também. Minha vida é música por todos os lados. Eu costumo dizer que a música me escolheu antes de eu escolhê-la. Quando abri os olhos e a vi, já estava tão apaixonada por ela, que jamais conseguiria viver sem o bem que ela me causa”, conta Jacqueline.

Mudança e recomeço foram presentes que a música trouxe para a vida de Jacqueline. Atualmente, compõe e canta música popular brasileira, mas nem sempre foi assim e ela relembra “por conta do posicionamento religioso dos meus pais, eu não podia ouvir música secular em minha casa. Só as músicas ditas religiosas eram permitidas, porém, as mesmas não me completavam como eu desejava. Achava que faltava algo qualquer que fosse às letras, nas melodias, harmonias. Então o que eu fazia? Fugia! (risos) Tenho um tio que sempre gostou muito de MPB, Bossa, Samba Canção… Ele tinha LPs lindos numa estante enorme. Aquela sala era meu ‘quarto de bonecas’. Eu fugia para casa dele e ficava horas escutando aqueles discos. Cantei muito com a (Maria) Betânia, com o Chico (Buarque), com a Elis (Regina), com o Milton (Nascimento), e com muitos outros grandes nomes de nossa música. Ali eu me encontrava e era profundamente feliz”.

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A primeira demonstração de amor pela MPB aconteceu ainda na infância. “Houve uma ocasião em que eu estava com 7 anos, e participei de um festival em minha escola. Cheguei com o professor que organizava e disse: “- Vou cantar Folhetim” (Chico Buarque). Claro que ele disse que não podia. Que aquilo não era música de criança. E que com ela eu não participaria. Eu escolhi outra canção e no dia do festival, quando ele começou a tocar no violão a música do Ursinho Pimpão, eu cantei Folhetim. Perdi, claro! Mas não perdi para mim (risos) e daí eu não parei mais. Sempre escondida. Sempre trancada no meu quarto… Sempre na casa do meu tio… Até que a música me libertou e me permitiu voar”.

A liberdade levou Jacqueline aos palcos, a solidão do quarto se transformou em público e aí foi uma nova experiência. “Nunca me imaginei num palco, com um público como espectador. Porque a música me realizava trancada em meu quarto, escrevendo e escondendo na gaveta, cantando escondido nos festivais da minha escola. Nunca desejei da música reconhecimento. Eu queria me reconhecer nela. Queria que a música olhasse para mim e dissesse: “-Te amo!”. A música era minha libertação diária. Minha fuga de Dores profundas… Meu Rivotril mais violento. Mas há coisas que simplesmente não escolhemos. Não decidimos. Não determinados. Simplesmente somos puxados e empurrados do penhasco. E foi isso que a música fez comigo: me empurrou de um penhasco altíssimo e me fez cair em queda livre. E durante a queda (que não acaba nunca), pude entender que havia muito mais em mim do que eu imaginava”, conta a artista.

Não satisfeita, a música deu mais à Jacqueline, deu reciprocidade. “Uma noite conheci um alguém. O amor da minha vida… Por acaso. Não programado. Fora dos padrões. E ele chegou despindo minha Alma e me fazendo perceber que jamais poderia fugir da música que gritava em mim. Nos apaixonamos, claro (risos) e comecei a mostrar pra ele tudo o que eu tinha escrito e ele começou a musicar. Um dia, há aproximados três anos, enquanto auxiliava uma amiga que faria um show, fui surpreendida com o convite repentino dela para subir no palco e cantar uma canção. Subi. Cantei. Três meses depois, apresentava meu primeiro show. “Coração Febril” teve ingressos esgotados e foi incrível. Não parei mais”, recorda a cantora.

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Em 2015, a cantora e compositora lançou o seu primeiro EP “Porque você me faz tão bem”, repleto de inspirações. “Sempre me inspiro em minha vida, em meus sentimentos, em meus amores e desamores. Minhas letras sempre refletem um momento meu. Tenho uma facilidade enorme de expor minhas entranhas, não tenho medo dos julgamentos, nem mesmo de deixar que conheçam o que sou de verdade. Vez ou outra, meu olhar passeia pelo mundo e rouba a história de um outro alguém para escrever, mas não é tão corriqueiro fazer isso. ‘Porque você me faz tão bem’ reflete um rompimento e um recomeço. São canções que me desenham num outdoor em praça pública (risos). Engraçado é que não escrevo nada pensando em música. Eu só escrevo. Palavras soltas, versos desencontrados. Nunca acho que está bom ou que pode ser música. São escritos, só! Eu gosto do papel. Não escrevo em equipamentos tecnológicos (risos). Gosto do papel, da caneta, dos riscos nas palavras mal postas. É meu pedaço de eternidade. Sei que ficarei ali, impressa por minhas próprias mãos. Computador não tem cheiro… o papel tem. Então eu tenho um caderno em que rabisco minhas idéias. O Neném (meu esposo e produtor musical) costuma ler meus versos. Quando vejo, já tem uma música pronta no violão dele. Sem mover um verso. Sem Trocar uma única palavra… Ele é um músico extraordinário, e faz milagre com as bobagens que escrevo”, brinca Jacqueline.

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Sobre cantar os sentimentos e a história, a artista não se intimida, “para muitos, seria motivo de medo, de exposição, especialmente quando a história foge dos padrões sociais ditos corretos. Para mim, é grito de liberdade. É minha carta de alforria. Minha libertação. É o vôo cego mais seguro em que embarquei. Todas as vezes que canto reafirmo minha força, ultrapasso meus próprios limites de impossibilidades, vou além, vejo o quanto as pessoas se identificam com minha música. Sempre ouço frases como: ‘é exatamente como me sinto / nossa… disse tudo o que eu precisava / …’, e isso faz tudo valer muito mais a pena”.

Com carinho, ela se despede agradecendo ao site o apoio. “Queria agradecer ao site Língua de Tesoura pelo espaço. É muito difícil produzir arte em nossa região. Não há apoios e nem incentivos. Vivemos pelo amor a música. Doamos tudo o que temos por ela, porque, no final, é ela quem nos mantém vivos. Só quem é músico entende o que digo. Que outros meios se abram para a divulgação de nossa cultura. Tem muita coisa boa por aqui, escondida pela falta de oportunidade. Um grande beijo no coração de todos! E que minha música roube todo o desamor que há espalhado por aí”.

 

Autor admin

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