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Elaine Valente: “música me proporcionou exercer minha cidadania”

Violonista, guitarrista e professora de música, cada um desses trabalhos complementam o todo que é Elaine Valente. Artista paraense que iniciou na música através de aulas de musicalização no Conservatório Carlos Gomes, um dos mais conceituados de todo o Brasil.

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Reportagem: Karolinni Guimarães

Fotos: Paulo Brelaz e Tereza Maciel

O rock sempre foi uma inspiração para a guitarrista. “Quando comecei a estudar queria tocar bateria, opção que foi descartada porque a conservatório não oferecia este curso na época (esse sonho não morreu… quem sabe no futuro?). Então, escolhi tocar guitarra, esse encanto de instrumento que conheci assistindo videoclipes dos deuses do rock, era lindo de ver! Me recordo do guitarrista Slash, que eu amava ver performando aqueles solos. Porém, não seria logo de cara que começaria com a guitarra, pelos mesmos motivos que não estudei bateria. Então, comecei pelo bom e velho violão”, recorda.

A partir daí, Elaine Valente e música seriam uma só. “Foram alguns anos de estudo até que chegou o momento que eu não imaginava minha vida sem a música e logo tratei de prestar vestibular para Licenciatura Plena em Música. Eu já flertava nos tempos de escola com a guitarra, mas foi na universidade que começou o namoro, e hoje casamento com ela”.

Formada em música, a paixão só aumentou e a educação também ingressou nessa história de amor. “A formação em música me permitiu trabalhar com educação musical, o que foi uma das melhores oportunidades que a música me proporcionou exercer minha cidadania com o que mais amo fazer. Aprendo muito com meus alunos e posso dizer que se sou alguém melhor a cada dia, devo a eles, família e amigos”, reconhece Elaine.

Banda Mahara

A guitarrista iniciou sua carreira em uma banda composta por mulheres, uma experiência única, como relembra a guitarrista, “foi um período muito bom, bonito e de muitos aprendizados. A maioria da banda cursava Licenciatura Plena em Música pela Universidade Estadual do Pará (UEPA) na mesma turma. O centro acadêmico promoveu um evento para apresentações de grupos, e assim surgiu a banda Mahara, composta por oito meninas, jovens e cheias de energia para fazer um som. Nosso estilo resumia-se a tocar rock, flertando com uma MPB nos shows”.

Elaine completa “ter começado desse jeitinho, com uma banda toda feminina, considerando minha timidez, foi um ótimo início de carreira musical. Depois da Mahara nunca mais parei de tocar, e foi com banda a minha transição de violonista para guitarrista oficial. Entre idas e vindas de integrantes a banda passou a compor uma ala masculina e estivemos juntos por 10 anos”.

Álibi de Orfeu

Em 2010, Elaine Valente passou a integrar uma importante banda de rock do estado, a Álibi de Orfeu. “A Álibi de Orfeu foi minha primeira e única banda de rock autoral, um sonho realizado. Uma banda que em sua formação reunia várias gerações diferentes, aprendi de tudo, foi único. Tivemos memoráveis momentos no palco, compomos uma ópera rock muito “crazy”, gravamos um tributo a Secos & Molhados e Mutantes e três clipes pra eternizar”.

Muito mais que o encanto pela música autoral, a banda Álibe de Orfeu foi alicerce para um novo momento de Elaine, claro, levando consigo muita gratidão. “Foi um degrau importante para eu chegar à carreira solo, quando decidi que era hora de novos vôos, somei nossas experiências e levei comigo. Sou muito grata pela oportunidade que o meu querido Rui ‘Prego’ Paiva e Sidney KC me concederam ao lado deles”, conta a guitarrista.

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Carreira solo

A carreira da jovem artista tem a participação de grandes nomes que fazem jus à riqueza cultural do nosso estado e contribuíram com sua carreira solo. “Logo que saí do Álibi tive uma experiência incrível tocando com vários artistas de Belém e de fora também. Foram convites que enriqueceram meu repertório, além de presentes musicais e lindas parcerias que levarei para o meu disco. Belém é cidade rica culturalmente, e na música não é diferente, você encontra de tudo! Até para prestigiar o que rola  na cidade tem que ter pique, por que a agenda é de segunda a segunda, quente e feroz!”, afirma Elaine Valente.

“Essas novas experiências trouxeram à tona o desejo de existir musicalmente com meu próprio trabalho. Comecei a pensar e me preparar para o que seria esse novo, um dos desafios foi me dedicar ao estudo do canto e materializar com um disco”, complementa a artista.

Novos projetos

E para quem curte o som de Elaine, ela fala sobre o trabalho autoral e solta uma novidade. “Estamos nos ‘finalmentes’, até com uma ansiedade que é difícil de segurar, mas tem que manter a calma. Depois de 1 ano de pesquisas e preparação, este trabalho vem com composições minhas e algumas parcerias, além da minha estreia como cantora, que é a maior novidade. Desde que me propus a seguir nessa linha, tenho me dedicado ao estudo diário, pois é o público que merece esse carinho. O disco tem uma pegada rock e pop, e estou contando com uma super banda que está junto comigo nesse estudo e trabalho”.

Ficou ansioso pelo novo trabalho? Mantem a calma e respira fundo que está chegando, não é mesmo Elaine Valente? “O lançamento será este ano, no segundo semestre. Adianto que antes do lançamento oficial teremos um single no ar para que as pessoas possam conhecer o que virá. Aos poucos também vou alimentando a minha página no Facebook, e já estão todos convidados para conferir e curtir”.

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“Dá um orgulho tremendo ver toda essa gente levando a nossa cultura, espalhando alegria e amor da nossa música”

Sobre o cenário musical paraense, ela afirma o que todos nós sabemos e aquilo que o nosso site quer fortalecer. “Tem muita gente boa representando muito bem o nosso Pará por todos os cantos do mundo! Dá um orgulho tremendo ver toda essa gente levando a nossa cultura, espalhando alegria e amor da nossa música, fazendo o povo tremer, no seu melhor sentido. Desde o brega até o rock, passando pelo jazz e outros estilos. Existe toda uma cadeia produtiva, e o pessoal trabalha com muito engajamento, com produções independentes, e isso tem muita força, todos os artistas resistem às dificuldades, à falta de incentivo, principalmente dos governos. E é justamente por esse engajamento que eu defendo mais mecanismos de financiamento da cultura, da música. A Lei Municipal Tó Teixeira e Guilherme Paraense que contemplou o meu projeto foi muito importante para tirar os sonhos da cabeça e fazê-los acontecer, mas quem já foi aprovado em algum edital da FUMBEL sabe o quanto é complicado conseguir a grana depois da aprovação. Nesse universo de produções independentes de Belém o incentivo é fundamental para a ampliação dos nossos horizontes. Aliás, para concretizar este sonho conto com o apoio da Invencível Veículos, que abraçou o projeto com a parte financeira, que é a mais difícil. E há ainda artistas que não são contemplados por esses editais, que tem a situação ainda mais complexa, mas que não desistem. Esses são os verdadeiros heróis e heroínas.Vivemos em um país burocrático e a papelada nunca acaba, convencer as empresas a financiar os projetos requer dedicação e há algumas travas na Lei deveriam ser superadas, como por exemplo permitir a captação de recursos de impostos retidos na fonte, algo que não acontece na Lei Tó Teixeira. O investimento em cultura é muito importante para vários segmentos do mercado, há muita interligação e muita gente boa querendo trabalhar e ser reconhecida”, analisa Elaine Valente.

Autor admin

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